Dialogo è accettare l'altro come è e come egli stesso si definisce e si presenta a noi, di non cessare di essere se stessi mentre ci si confronta con il diverso, di essere consapevoli che la nostra identità esce arricchita e non sminuita da chi di questa identità non accetta alcuni elementi, magari anche quelli che noi riteniamo fondamentali. La riconciliazione è possibile, tra i cristiani e nella compagnia degli uomini. (Enzo Bianchi, priore della Comunità di Bose)


O “regresso” de Matteo Ricci a Macau

di DIANA DO MAR

ESTÁTUA DO JESUÍTA VAI SER COLOCADA EM AGOSTO JUNTO ÀS RUÍNAS

Exemplo de uma persistência extraordinária, Matteo Ricci cunhou, de forma indelével, as relações entre o Ocidente e o Oriente. E, numa altura em que se assinalam os 400 anos da morte do missionário jesuíta, Macau presta-lhe agora tributo com uma estátua, junto às Ruínas de São Paulo. A imagem vai conhecer a luz do dia a 7 de Agosto, data em que Matteo Ricci chegou a Macau

Corria o longínquo ano de 1582 quando Matteo Ricci chegou ao Oriente, a bordo de uma das caravelas que abalavam de Lisboa rumo a um mundo desconhecido. O jesuíta italiano, que rompeu com as fronteiras de uma China fechada ao exterior, regressa ao local onde um dia decidiu parar. E, se naqueles tempos, Matteo Ricci se misturou com as gentes locais, a partir do próximo mês, voltará metaforicamente a fazê-lo. Precisamente a 7 de Agosto – data em que atracou em Macau – será inaugurada uma estátua, feita em bronze, em tamanho real, avançou ao JTM fonte de uma entidade governamental, co-responsável pela organização do evento.
Fruto do trabalho de um artista local (ver texto nestas páginas) a estátua de tributo a Matteo Ricci figura como o expoente da celebração do 400º aniversário da morte do seiscentista em Macau. De acordo com dados do Museu de Arte, a exposição sobre o “Mestre do Ocidente” deve abrir portas ao público no dia 8 do próximo mês. Retrato da influência do “importante missionário jesuíta”, que introduziu elementos da cultura e ciência da Europa Renascentista na China, como sublinha o Museu de Arte, a mostra deve estar patente até ao final de Outubro.
Matteo Ricci assume-se como o personagem principal da História que a exposição pretende narrar e que chega de Macerata, a sua terra natal. Mais de uma centena de obras de arte ligadas ao universo jesuíta matizam um programa de comemorações, que atravessou continentes.
Em Macau, o recordar da efeméride apura quase todos os sentidos. E, se a estátua convida ao tacto, a exposição aguça o olhar. E há ainda um concerto de música sacra previsto, composto em especial para o aniversário por um italiano, que se encontra em Xangai, para o ouvido. Existe também a possibilidade de ser lançado um selo especial, para que a data fique gravada na memória e nas colecções dos que se dedicam ao mundo da filatelia.
Investigador de matemática e do universo da astronomia, Matteo Ricci partiu à descoberta das terras a Oriente, quando já estava perto de perfazer 30 anos, com toda a bagagem cultural que possuía. Era, afinal, o fruto da melhor educação possível de que usufruiu desde o berço, como filho de uma família nobre. Estudou Letras, percorreu a Filosofia e debruçou-se sobre a Teologia, em Coimbra, onde aprendeu a falar português. Mas as ciências exactas da Matemática, Astronomia e da Cartografia, que intersectaram os seus estudos, terão assumido especial destaque no Oriente.
O respeito que demonstrou ter pela diferença, ou seja, pela cultura chinesa, distingue-o. Ainda hoje, a postura de Ricci prevalece como um exemplo da forma como se pinta um diálogo entre culturas diferentes, ou mesmo antagónicas. À China, deixou um legado de conhecimento que trouxe da Europa. À Europa, transmitiu a sabedoria daquele que é o Mestre da China: Confúcio. Aliás, segundo reza a História, o nome do pensador – tal como o conhecemos hoje – foi dado por Matteo Ricci, que o latinizou.
Quatro séculos depois da sua morte, o missionário jesuíta italiano Matteo Ricci volta a ser uma ponte cultural entre o Ocidente e o Oriente. Ricci (“Li Madou”, em chinês) viveu quase metade da sua vida no Império do Meio, onde foi autorizado a criar raízes em 1601, altura em que entrou na Cidade Proibida. Passados nove anos, o missionário acabaria por falecer no mundo que evangelizou, tendo sido sepultado num cemitério de Pequim com honras dignas de um mandarim.


Fonte:

Jornal Tribuna de Macau

16 luglio 2010